31 de ago. de 2009

Uma tarde cabeluda

No meu primeiro post no blog, vou correr o risco de parecer fútil para falar sobre um assunto que é, para mim, o maior mistério do mundo (pelo menos do mundo que eu conheço): o meu cabelo. Meu cabelo tem vida própria. Não adianta pintar, alisar, enrolar, trançar, arrepiar: se ele não quiser, nada feito. Se o meu cabelo não quiser ser loiro, não importa se eu comprar tinta “Carla Perez”. Ele não vai clarear. Se eu quiser alisar ele, não importa se eu gastar mais de R$100 em uma dessas escovas da moda por aí: ele não alisa. E se eu quiser um corte X, é mais provável que ele termine com um corte Z. Para terem uma ideia, quando quero abaixar o volume e alisar meu cabelo, eu faço tranças, deixo por 10 minutos e depois solto. Praia e piscina? São máscaras de tratamento, deixando-o liso e brilhoso. E prancha simplesmente é o seu inimigo número 1, deixando quebrado. Sim, é uma criatura a parte. Ele é o Highlander dos filmes, a Mystique das histórias de quadrinhos, o McGyever dos anos 80 e o Jack Bauer do novo milênio.

Mas mesmo assim, é o MEU cabelo. Sendo assim, é claro que sempre insisto em deixá-lo exatamente como eu quero. Que inocência minha....

Com isso em mente, depois de quase duas semanas de uma escova de chocolate que só deixou um cheiro enjoado e um corte que, além de deixar uma franja retalhada, ficou mais curto do que deveria, eu resolvi consertar a franja sozinha. Isso mesmo. S-O-Z-I-N-H-A.

Eu escutei seu riso, viu?

Eu sei o que vocês estão pensando... “Eu já vi esse filme”. Mas dessa vez eu resolvo me preparar melhor. E como fazer isso? Pensemos... Onde procurar sobre cortes de franja? A resposta é bem óbvia, né? Eu vou procurar no Google. Ah, e no You Tube também.

Depois de ler alguns blogs sem achar exatamente o que quero, eu parto para o You Tube e encontro um vídeo de uma menina americana que se diz cabeleleira/make-up artist (com vídeos bem legais no canal dela) que tem a franja que eu quero e ensina como cortar sozinha. Voilá! Vejo duas vezes o vídeo e já me acho pronta e apta pra cortar minha franja. Vou até meu banheiro, coloco um saco plástico para não sujar a pia (Há! Essa foi a parte mais engraçada... Eu ACHEI que não ia sujar a pia... pelo menos ficou menos suja que a roupa!) e começo a seguir os passos dela. Como a franja cortada no salão estava maior do que eu desejava (muito abaixo da orelha), decido não cortar, apenas modelar para que ela fique em degrau quando colocada de lado. Assim, se ficar bom, eu corto o comprimento de novo e remodelo e, se não ficar, eu ainda tenho o comprimento não muito curto para uma segunda chance. Perfeito. O problema é que não houve só uma segunda chance. Houve também uma terceira, uma quarta, uma quinta... e a partir daí cansei de contar. A falta de paciência bateu, e começei a cortar de qualquer jeito, usando meus dois anos de estudo de física na faculdade para calcular a maneira certa do caimento da franja de acordo com a gravidade e o atrito dos fios entre si. Epa! Quando me dei conta que estava recorrendo até a cálculos, achei que já estava na hora de parar.... A obsessão estava tomando conta.

Só pra ver o que eu tinha errado, resolvi voltar a procurar pelo corte. Tsct tsc... Pois é... Achei outro que, na hora, tinha certeza que ia dar certo, e voltei ao banheiro com a tesoura e o pente e voltei a retalhar, ops, cortar a franja. O resultado foi uma franja de um lado maior que o outro e uma parte do cabelo, que não é franja, cortado como franja. Porém, quando a franja era jogada pro lado direito podia ser percebida um leve (bem leve) caimento (gravidade e atrito dos fios de mãos dadas, univo-os!). Resolvi deixar um lado maior que o outro mesmo (se colocasse o resto do cabelo na frente dava pra disfarçar).

Mas como sou mais teimosa ainda, resolvi ler um último blog que estava aberto e a menina, que também se dizia cabeleleira, tinha fotos dela mesma cortando o próprio cabelo usando outra técnica (bem mais fácil), com resultado exatamente como eu queria! Por que ela consegue e eu não?? Resolvi que era questão de honra voltar para o ringue, agora usando essa técnica.

E não é que deu certo?

Tirando o cabelo que não é franja ter sido cortado e o fato da franja estar agora muito curta (uma parte nem dá pra ser coloca atrás da orelha, o que, tenho certeza, irá me irritar e muito em alguns dias), até que ficou com um caimento legal. Eu poderia cortar mais e igualar todo o comprimento (já que uma parte continua maior que a outra), mas decidi não ter confiança demais que o meu cabelo vai ter piedade de mim mais de uma vez em um dia.

Mas quem sabe amanhã eu não cisme em tentar, né?

25 de ago. de 2009

Como mudar a escolha profissional

Sabe, existem coisas que quando contamos ninguém acredita e essa é uma delas. O fato de amar bichos sempre me levou a fazer coisas que envergonharia qualquer mãe pudica. Quando ainda estava no ensino fundamental, mudei de cidade e fui morar no interior do estado para estudar em um colégio de aplicação da faculdade de medicina. Chegando lá, descobri que além de medicina existia o curso de veterinária e tratei de me informar sobre o curso sonhando futuramente em me tornar "médica de bichinho". Comuniquei meu interesse para minha coordenadora, que decidiu levar minha turma para um passeio pela faculdade de medicina. Quando cheguei na sala de anatomia, deparei-me com uma boneca vestida de noiva. Achei o vestido meio brega, aquilo meio estranho mas continuei a caminhada. A primeira sala era feita de grandes mesas de azulejo branco, deveria ter umas 9 ou 10 mesas iguais. A sala seguinte era feita de grandes tanques com umas inscrições que desconhecia e estavam fechados. A esquerda da sala, podíamos encontrar 2 subsalas, onde uma era de ossos e outra de fetos. Eu e minha amiga Isabella, estávamos visivelmente nos "borrando" de medo. A professora achou prudente não abrir os tanques e mostrar a sala dos ossos e dos fetos. Os ossos eram invernizados ou algo parecido para evitar a ação do tempo. Existiam milhões de ossos de todos os tipos. Quando entramos na sala de fetos, eu já possuía uma coloração levemente esverdeada e minha fiel escudeira estava aos prantos pedindo pra ir embora. Obviamente, não iria liberá-la desta aventura meio macabra. Fiquei consolando-a por algumas horas quando decidimos entrar juntas na sala de fetos. Nesta sala, fetos que foram abortados ganhavam espaço em um vidro para que pudessem ser estudados. Na moral, eu sou muito linda, mas se eu tivesse sido abortada com 3 ou 4 meses, teria medo de mim mesma. Uns com cara de girino e outros praticamente formados. Isabella nessa hora já estava se esguelando, implorando minha piedade inexistente. Quando nos demos conta, a turma já tinha ido embora e eu e Isabella tínhamos ficado presas na maldita sala. Fomos checar a porta e estava trancada. Isabella começou a dizer que estava passando mal e que queria ir pra casa. Eu não sabia o que fazer na hora, mas apesar da confusão, a curiosidade invadia meus pensamentos. A hora da saída do colégio se aproximava e minha mãe me aguardava do lado de fora do colégio para saber como tinha sido meu dia. Propus que Isabella me ajudasse a encontrar uma janela ou uma porta de saída, quando então, entramos na sala que continha os temidos tanques. As janelas eram altas e pequenas, não dava para pular. Subi em uma mesa de ferro pesada que ficava exatamente embaixo da janela e não dei altura para ver se passava alguém e pedir ajuda. No colégio, minha mãe estava desesperada aprontando um barraco "de leve" com a professora desatenta. Como a forma de nos retirar de lá era esperar que alguma boa alma viesse abrir a porta, resolvi ver o que tinha dentro dos freezers. Isabella abriu o primeiro e quase vomitou. Era um monte de braços meio roxos boiando. Decidi abrir o segundo na esperança de encontrar alguma cabeça conhecida (vai saber o que passa na mente de uma criança de 12 anos). Encontrei uns pés, tornozelos, coxas, tudo separado. Achei melhor ir pra sala de ossos porque o cheiro que saiu do freezer estava me embrulhando o estômago. Até que, quase uma hora depois, tio Dornelles, o inspetor, abre a porta da sala e nos liberta. Depois desse dia, Isabella escolheu cursar direito e eu jornalismo. Parei de assistir as aventuras do Scooby doo e detesto filmes de terror. A vida teria sido melhor comigo se não fosse o cheiro que aqueles corpos exalavam ...