25 de ago. de 2009

Como mudar a escolha profissional

Sabe, existem coisas que quando contamos ninguém acredita e essa é uma delas. O fato de amar bichos sempre me levou a fazer coisas que envergonharia qualquer mãe pudica. Quando ainda estava no ensino fundamental, mudei de cidade e fui morar no interior do estado para estudar em um colégio de aplicação da faculdade de medicina. Chegando lá, descobri que além de medicina existia o curso de veterinária e tratei de me informar sobre o curso sonhando futuramente em me tornar "médica de bichinho". Comuniquei meu interesse para minha coordenadora, que decidiu levar minha turma para um passeio pela faculdade de medicina. Quando cheguei na sala de anatomia, deparei-me com uma boneca vestida de noiva. Achei o vestido meio brega, aquilo meio estranho mas continuei a caminhada. A primeira sala era feita de grandes mesas de azulejo branco, deveria ter umas 9 ou 10 mesas iguais. A sala seguinte era feita de grandes tanques com umas inscrições que desconhecia e estavam fechados. A esquerda da sala, podíamos encontrar 2 subsalas, onde uma era de ossos e outra de fetos. Eu e minha amiga Isabella, estávamos visivelmente nos "borrando" de medo. A professora achou prudente não abrir os tanques e mostrar a sala dos ossos e dos fetos. Os ossos eram invernizados ou algo parecido para evitar a ação do tempo. Existiam milhões de ossos de todos os tipos. Quando entramos na sala de fetos, eu já possuía uma coloração levemente esverdeada e minha fiel escudeira estava aos prantos pedindo pra ir embora. Obviamente, não iria liberá-la desta aventura meio macabra. Fiquei consolando-a por algumas horas quando decidimos entrar juntas na sala de fetos. Nesta sala, fetos que foram abortados ganhavam espaço em um vidro para que pudessem ser estudados. Na moral, eu sou muito linda, mas se eu tivesse sido abortada com 3 ou 4 meses, teria medo de mim mesma. Uns com cara de girino e outros praticamente formados. Isabella nessa hora já estava se esguelando, implorando minha piedade inexistente. Quando nos demos conta, a turma já tinha ido embora e eu e Isabella tínhamos ficado presas na maldita sala. Fomos checar a porta e estava trancada. Isabella começou a dizer que estava passando mal e que queria ir pra casa. Eu não sabia o que fazer na hora, mas apesar da confusão, a curiosidade invadia meus pensamentos. A hora da saída do colégio se aproximava e minha mãe me aguardava do lado de fora do colégio para saber como tinha sido meu dia. Propus que Isabella me ajudasse a encontrar uma janela ou uma porta de saída, quando então, entramos na sala que continha os temidos tanques. As janelas eram altas e pequenas, não dava para pular. Subi em uma mesa de ferro pesada que ficava exatamente embaixo da janela e não dei altura para ver se passava alguém e pedir ajuda. No colégio, minha mãe estava desesperada aprontando um barraco "de leve" com a professora desatenta. Como a forma de nos retirar de lá era esperar que alguma boa alma viesse abrir a porta, resolvi ver o que tinha dentro dos freezers. Isabella abriu o primeiro e quase vomitou. Era um monte de braços meio roxos boiando. Decidi abrir o segundo na esperança de encontrar alguma cabeça conhecida (vai saber o que passa na mente de uma criança de 12 anos). Encontrei uns pés, tornozelos, coxas, tudo separado. Achei melhor ir pra sala de ossos porque o cheiro que saiu do freezer estava me embrulhando o estômago. Até que, quase uma hora depois, tio Dornelles, o inspetor, abre a porta da sala e nos liberta. Depois desse dia, Isabella escolheu cursar direito e eu jornalismo. Parei de assistir as aventuras do Scooby doo e detesto filmes de terror. A vida teria sido melhor comigo se não fosse o cheiro que aqueles corpos exalavam ...

1 comentários:

Anita disse...

rsrsrsrsrs...nossa demais!

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