Quinta-feira, este dia poderia ter sido normal como todos os outros, mas não foi (assim como todos os outros). Bem como 2 + 2 são 4, a probabilidade de tudo dar errado num só dia para mim é quase que 100% certo.
Estava eu muito bem na minha, como sempre, cuidando da minha vida, pra variar, quando chega uma pequena pessoa, bonitinha, fofinha e que contém metade do meu código genético e resolve me aporrinhar, tirar minha atenção, grudar no meu braço, pé, perna, cabeça, pescoço, etc..Dai como toda mãe eu berro, peço, choro, imploro, suplico, chantageio, o diabo-a-4, tudo pra conseguir meu dia de paz. Depois de parte do problema do dia resolvido, vem o seguinte. A pessoa que passa 9 meses nos carregando, falando aos nossos ouvidos, pernas, braços, cabeça, sem termos para onde correr e acha que ainda tem domínio sobre nós depois de 28 anos de cordão umbilical cortado; resolve reclamar, reclamar e mais...reclamar.
Saio então de casa para fugir de toda essa “alegria diária” e com a esperança de receber no meu ultimo dia de trabalho o que falta do meu mísero salário. No caminho para o meu tão sonhado, esperado e maravilhoso trabalho, sigo me alimentando de milagrosos amendoins que transformam o meu final de dia em completa alegria. Quando chego ao meu destino, o tão esperado e mísero resto de salário não se encontra. Foi viajar com meu chefe, olha que maravilha!Esplendido!
Sem mais opções, sigo então de volta para a minha ultima batalha, o retorno para a casa. Voltando do jeito que fui (na completa merda). Mas nem tudo estava perdido, ao descer para pegar meu segundo “Mercedes bens” encontro no meu caminho a luz! O mercado Campeão aberto! Entrei, comprei umas 5 amigas “skoletes” long neck e voltei feliz para meu “lar doce lar”.
Esperando que a viajem acabasse logo para começar a festa com as “skoletes”, deparo no ônibus com um ser deprimente e crente que eu ia cair no golpe do “me empresta seu cel pra eu ligar a cobrar?”. Coitado, pegou a vitima errada, eu estava no meu momento mais egoísta possível, “cagando-e-andando-baldes” para geral. Livrei-me do ser e rezei para a viajem acabar.
Ao chegar, depois que todos dormiram, comecei minha reunião com as skoletes. Bebi todas, encontrei mais dois amigos perdidos no armário o “cantinho da roça” e o “limão-com-açúcar” e finalizamos a festa! Acordei o pobre-coitado do meu namorado pra falar nada com nada, conversei palavras sem sentindo algum com minha querida prima e mandei pelo caminho de cima embora todos os meus milagrosos amendoins. Não me lembro de muita coisa depois que encontrei os meus outros “amigos perdidos”, só sei que a conseqüência desse maravilhoso encontro foi muita dor de cabeça, muita dor no estômago, uma perna mancando e um dia de dieta alimentar forçada. Agradeço a todos pela colaboração neste dia que culminou com a minha queda.
20 de jul. de 2009
16 de jul. de 2009
Aprontando em "Barba-sepetiba-cena"...
Quando eu tinha 10 anos e fui morar lá em "Barba-sepetib-ena", um bairrozinho bem atrasado do Rio. Lá vivi diversas das minhas melhores aventuras. Além de me vestir bem breguinha e largada como um molequinho de rua lamacenta, tive a oportunidade de morar numa casa relativamente grande e com muita natureza em volta (pé-disso, pé-daquilo), criar animais bem exóticos (ou devo dizer bem "esquisitos"), conhecer muitas pessoas "sem-noção", descobrir meu lado empreendedor e usar minha oratória pra cima dos desafortunados, me tornar uma ciclista profissional (ou se locomovia de bicicleta ou mofava no ponto), descobrir meu lado científico realizando muitas autópsias em sapos já mortos que se suicidavam na minha piscina, desenvolver minha imaginação para escrever e sacanear os outros .... Enfim, eu aprontei muito e aprendi bastante também. Viver em "Barba-sepetib-ena" teve suas vantagens.
Em uma de minhas aventuras, tive a feliz idéia de colher e vender os jambos que nasciam lá em casa. Todo dia que dava jambo, lá ia eu montar a minha mesinha na porta de casa para empurrar jambo para os vizinhos comer. "Come! Faz bem! É bom pra saúde!". Jambo é a fruta mais sem graça e ruim que já comi em toda a minha vida, mas a alma do negócio é: mentir muito.
Quando não estava vendendo frutas ruins e que ninguém lá em casa gostava de comer, eu vendia minhas coisas velhas e quebradas. Discos que eu dizia que eram maravilhosos, barbies com pescoço quebrado. E as minhas melhores vítimas eram minhas amiguinhas ingênuas (coitadas!).
Eu era muito boa amiga quando criança, emprestava só os brinquedos velhos, quebrados, chatos e apelidava as amigas que sofriam com os apelidos (coitada da Ana paula-orelha-de-Dumbo).
Eu também era muito boa com os animais. Quase fui veterinária. Ajudei muito o meu cachorro a matar cobras-d'água, "mata Skipe, mata". Criei preás que se multiplicavam o dobro a cada trepada. E até as pobres preás eram vendidas pela vizinhança, "compra vai, nem dá trabalho, vive só 2 anos". Tentei criar jabotis, mas, nas duas vezes que tentei as duas conseguiram fugir. Uma vez ganhei um scargot (um caracol gigante q muita gente gosta de comer), "o que é que eu faço com esse bicho? O que ele sabe fazer?". Não durou nem um mês, soltei a droga do bicho que não sabia fazer nada, além de deixar um rastro de gosma por onde andava. Mas, a amizade mais linda que tive com um animal exótico foi com a Joana, a porca do vizinho. Vi os filhos de Joana nascer, alimentava Joana e visitava-a sempre. Até que um dia, o vizinho disse que Joana havia "falecido" e no dia seguinte, teve churrasco só de linguiça lá em casa. Só descobri que tinha comido a Joana no dia seguinte, pois meu padrasto "querido" fez questão de me sacanear.
Mas, uma de minhas aventuras favoritas foi as paródias de funk que criei, sacaneando um vizinho muito metido a besta. Criei músicas sacaneando ele e enviei-as em cartas para a casa dele (utilizando uma de minhas ingênuas e bode-espiatórias), marquei encontro com ele fingindo ser uma menina que gostava dele e só ele foi ao encontro. Foi bem divertido!
Viver no mato requer muita criatividade para se divertir e matar o tempo. E, nisso, eu me tornei PhD.
Em uma de minhas aventuras, tive a feliz idéia de colher e vender os jambos que nasciam lá em casa. Todo dia que dava jambo, lá ia eu montar a minha mesinha na porta de casa para empurrar jambo para os vizinhos comer. "Come! Faz bem! É bom pra saúde!". Jambo é a fruta mais sem graça e ruim que já comi em toda a minha vida, mas a alma do negócio é: mentir muito.
Quando não estava vendendo frutas ruins e que ninguém lá em casa gostava de comer, eu vendia minhas coisas velhas e quebradas. Discos que eu dizia que eram maravilhosos, barbies com pescoço quebrado. E as minhas melhores vítimas eram minhas amiguinhas ingênuas (coitadas!).
Eu era muito boa amiga quando criança, emprestava só os brinquedos velhos, quebrados, chatos e apelidava as amigas que sofriam com os apelidos (coitada da Ana paula-orelha-de-Dumbo).
Eu também era muito boa com os animais. Quase fui veterinária. Ajudei muito o meu cachorro a matar cobras-d'água, "mata Skipe, mata". Criei preás que se multiplicavam o dobro a cada trepada. E até as pobres preás eram vendidas pela vizinhança, "compra vai, nem dá trabalho, vive só 2 anos". Tentei criar jabotis, mas, nas duas vezes que tentei as duas conseguiram fugir. Uma vez ganhei um scargot (um caracol gigante q muita gente gosta de comer), "o que é que eu faço com esse bicho? O que ele sabe fazer?". Não durou nem um mês, soltei a droga do bicho que não sabia fazer nada, além de deixar um rastro de gosma por onde andava. Mas, a amizade mais linda que tive com um animal exótico foi com a Joana, a porca do vizinho. Vi os filhos de Joana nascer, alimentava Joana e visitava-a sempre. Até que um dia, o vizinho disse que Joana havia "falecido" e no dia seguinte, teve churrasco só de linguiça lá em casa. Só descobri que tinha comido a Joana no dia seguinte, pois meu padrasto "querido" fez questão de me sacanear.
Mas, uma de minhas aventuras favoritas foi as paródias de funk que criei, sacaneando um vizinho muito metido a besta. Criei músicas sacaneando ele e enviei-as em cartas para a casa dele (utilizando uma de minhas ingênuas e bode-espiatórias), marquei encontro com ele fingindo ser uma menina que gostava dele e só ele foi ao encontro. Foi bem divertido!
Viver no mato requer muita criatividade para se divertir e matar o tempo. E, nisso, eu me tornei PhD.
13 de jul. de 2009
Como não mudar de visual
Hoje acordei com vontade de mudar o rosto, o corpo e o cabelo... De alma, se for possível! Isso porque meu aniversário está se aproximando e eu cheguei a conclusão que o meu corpo de 23 tá pior do que o da Madonna com 50. Pois bem, eu tenho três opções:
1°- Ficar em casa me lamentando devorando uma caixa de bombons enquanto vejo o programa da Márcia Goldsmith;
2°- Sair agora mesmo para me matricular em uma academia que tá com um preço bom e aproveitar pra passar no salão fazer luzes, unha e depilação.
3°- Poupar dinheiro ao máximo, indo até a locadora para alugar o dvd da Solange Frazão e começar a malhar em casa. Logo em seguida, compraria tinta de cabelo, papel e cera para depilação, esmalte vermelho e um alicate de cutícula.
Bem, eu não sei o que vocês escolheriam no meu lugar, mas achei a opção número 3 super coerente. Me arrumei, passei primeiro na farmácia e depois na locadora. Resolvi pintar o cabelo em primeiro lugar. Escolhi uma tinta que tem a Grazi Massafera na caixa. Pensei... meu cabelo vai ficar lindo e loiro igual ao dela! Lêdo engano! Meu cabelo, após 30 minutos, parecia o cruzamento da Rita Lee com o Serguei. Estrilei como uma passarinha tepêmica. Além de ter ficado seco, arrepiado e opaco ele também ficou laranja. Pensei em processar o fabricante por propaganda enganosa, mas achei melhor, pelo menos, terminar a unha e a malhação, afinal, nem tudo tinha dado errado.
Parti para a segunda parte do plano, a depilação. É impressionante o que 15 dias fazem na vida de uma mulher. É possível mudar até de classificação científica, deixando de ser mulher e virar uma orangotanga. Aqueci a cera conforme o descrito na embalagem, passei no papel e... PUTZ! A minha sensação foi que eu estivesse indo até a lua sem escalas. Metade da cera tinha permanecido na perna, e eu tinha que retirá-la, sendo que, eu havia esquecido de comprar óleo de remoção. Cara, como eu ia sair de casa? Com o cabelo laranja e a perna totalmente cheia de cera? Liguei pra minha mãe, chorando e desesperada. "Mãããe como eu faço pra tirar isso na minha perna?". Minha mãe não sabia como me ajudar, mas teve uma saída sagaz para o meu problema. "Filha, quando grudei um dedo no outro com Superbonder, eu passei água quente e saiu tudo". Desculpem agora o palavreado mas, CARALHO!! Segui atentamente as instruções e, como resultado, além de uma perna grudada, eu ganhei uma perna vermelha e queimada. É muita sorte, não?
Como a perna estava ardendo e grudada, achei melhor não movimentá-la. Fui fazer a unha. Eu não sou uma pessoa dotada de uma excelente coordenação motora, mas faço o que posso. Comecei a cutilar as unhas e uma mão havia ficado ótima. Sabendo que eu sou destra e não tenho muita firmeza com a mão esquerda, resolvi ir devagarinho para que não ocorresse mais nenhum acidente. O dedo mínimo saiu ótimo, porém, quando fui para o anelar, vi o mar vermelho nas minhas mãos. Eu não havia tirado um bife, tinha tirado um churrasco inteiro! E era só o que faltava para o meu dia terminar perfeito, um dedo cheio de sangue, uma perna queimada e grudada e um cabelo de mico leão dourado.
Acho que não preciso explicar melhor como me tornei fã incondicional da Márcia Goldsmith.
1°- Ficar em casa me lamentando devorando uma caixa de bombons enquanto vejo o programa da Márcia Goldsmith;
2°- Sair agora mesmo para me matricular em uma academia que tá com um preço bom e aproveitar pra passar no salão fazer luzes, unha e depilação.
3°- Poupar dinheiro ao máximo, indo até a locadora para alugar o dvd da Solange Frazão e começar a malhar em casa. Logo em seguida, compraria tinta de cabelo, papel e cera para depilação, esmalte vermelho e um alicate de cutícula.
Bem, eu não sei o que vocês escolheriam no meu lugar, mas achei a opção número 3 super coerente. Me arrumei, passei primeiro na farmácia e depois na locadora. Resolvi pintar o cabelo em primeiro lugar. Escolhi uma tinta que tem a Grazi Massafera na caixa. Pensei... meu cabelo vai ficar lindo e loiro igual ao dela! Lêdo engano! Meu cabelo, após 30 minutos, parecia o cruzamento da Rita Lee com o Serguei. Estrilei como uma passarinha tepêmica. Além de ter ficado seco, arrepiado e opaco ele também ficou laranja. Pensei em processar o fabricante por propaganda enganosa, mas achei melhor, pelo menos, terminar a unha e a malhação, afinal, nem tudo tinha dado errado.
Parti para a segunda parte do plano, a depilação. É impressionante o que 15 dias fazem na vida de uma mulher. É possível mudar até de classificação científica, deixando de ser mulher e virar uma orangotanga. Aqueci a cera conforme o descrito na embalagem, passei no papel e... PUTZ! A minha sensação foi que eu estivesse indo até a lua sem escalas. Metade da cera tinha permanecido na perna, e eu tinha que retirá-la, sendo que, eu havia esquecido de comprar óleo de remoção. Cara, como eu ia sair de casa? Com o cabelo laranja e a perna totalmente cheia de cera? Liguei pra minha mãe, chorando e desesperada. "Mãããe como eu faço pra tirar isso na minha perna?". Minha mãe não sabia como me ajudar, mas teve uma saída sagaz para o meu problema. "Filha, quando grudei um dedo no outro com Superbonder, eu passei água quente e saiu tudo". Desculpem agora o palavreado mas, CARALHO!! Segui atentamente as instruções e, como resultado, além de uma perna grudada, eu ganhei uma perna vermelha e queimada. É muita sorte, não?
Como a perna estava ardendo e grudada, achei melhor não movimentá-la. Fui fazer a unha. Eu não sou uma pessoa dotada de uma excelente coordenação motora, mas faço o que posso. Comecei a cutilar as unhas e uma mão havia ficado ótima. Sabendo que eu sou destra e não tenho muita firmeza com a mão esquerda, resolvi ir devagarinho para que não ocorresse mais nenhum acidente. O dedo mínimo saiu ótimo, porém, quando fui para o anelar, vi o mar vermelho nas minhas mãos. Eu não havia tirado um bife, tinha tirado um churrasco inteiro! E era só o que faltava para o meu dia terminar perfeito, um dedo cheio de sangue, uma perna queimada e grudada e um cabelo de mico leão dourado.
Acho que não preciso explicar melhor como me tornei fã incondicional da Márcia Goldsmith.
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