No meu primeiro post no blog, vou correr o risco de parecer fútil para falar sobre um assunto que é, para mim, o maior mistério do mundo (pelo menos do mundo que eu conheço): o meu cabelo. Meu cabelo tem vida própria. Não adianta pintar, alisar, enrolar, trançar, arrepiar: se ele não quiser, nada feito. Se o meu cabelo não quiser ser loiro, não importa se eu comprar tinta “Carla Perez”. Ele não vai clarear. Se eu quiser alisar ele, não importa se eu gastar mais de R$100 em uma dessas escovas da moda por aí: ele não alisa. E se eu quiser um corte X, é mais provável que ele termine com um corte Z. Para terem uma ideia, quando quero abaixar o volume e alisar meu cabelo, eu faço tranças, deixo por 10 minutos e depois solto. Praia e piscina? São máscaras de tratamento, deixando-o liso e brilhoso. E prancha simplesmente é o seu inimigo número 1, deixando quebrado. Sim, é uma criatura a parte. Ele é o Highlander dos filmes, a Mystique das histórias de quadrinhos, o McGyever dos anos 80 e o Jack Bauer do novo milênio.
Mas mesmo assim, é o MEU cabelo. Sendo assim, é claro que sempre insisto em deixá-lo exatamente como eu quero. Que inocência minha....
Com isso em mente, depois de quase duas semanas de uma escova de chocolate que só deixou um cheiro enjoado e um corte que, além de deixar uma franja retalhada, ficou mais curto do que deveria, eu resolvi consertar a franja sozinha. Isso mesmo. S-O-Z-I-N-H-A.
Eu escutei seu riso, viu?
Eu sei o que vocês estão pensando... “Eu já vi esse filme”. Mas dessa vez eu resolvo me preparar melhor. E como fazer isso? Pensemos... Onde procurar sobre cortes de franja? A resposta é bem óbvia, né? Eu vou procurar no Google. Ah, e no You Tube também.
Depois de ler alguns blogs sem achar exatamente o que quero, eu parto para o You Tube e encontro um vídeo de uma menina americana que se diz cabeleleira/make-up artist (com vídeos bem legais no canal dela) que tem a franja que eu quero e ensina como cortar sozinha. Voilá! Vejo duas vezes o vídeo e já me acho pronta e apta pra cortar minha franja. Vou até meu banheiro, coloco um saco plástico para não sujar a pia (Há! Essa foi a parte mais engraçada... Eu ACHEI que não ia sujar a pia... pelo menos ficou menos suja que a roupa!) e começo a seguir os passos dela. Como a franja cortada no salão estava maior do que eu desejava (muito abaixo da orelha), decido não cortar, apenas modelar para que ela fique em degrau quando colocada de lado. Assim, se ficar bom, eu corto o comprimento de novo e remodelo e, se não ficar, eu ainda tenho o comprimento não muito curto para uma segunda chance. Perfeito. O problema é que não houve só uma segunda chance. Houve também uma terceira, uma quarta, uma quinta... e a partir daí cansei de contar. A falta de paciência bateu, e começei a cortar de qualquer jeito, usando meus dois anos de estudo de física na faculdade para calcular a maneira certa do caimento da franja de acordo com a gravidade e o atrito dos fios entre si. Epa! Quando me dei conta que estava recorrendo até a cálculos, achei que já estava na hora de parar.... A obsessão estava tomando conta.
Só pra ver o que eu tinha errado, resolvi voltar a procurar pelo corte. Tsct tsc... Pois é... Achei outro que, na hora, tinha certeza que ia dar certo, e voltei ao banheiro com a tesoura e o pente e voltei a retalhar, ops, cortar a franja. O resultado foi uma franja de um lado maior que o outro e uma parte do cabelo, que não é franja, cortado como franja. Porém, quando a franja era jogada pro lado direito podia ser percebida um leve (bem leve) caimento (gravidade e atrito dos fios de mãos dadas, univo-os!). Resolvi deixar um lado maior que o outro mesmo (se colocasse o resto do cabelo na frente dava pra disfarçar).
Mas como sou mais teimosa ainda, resolvi ler um último blog que estava aberto e a menina, que também se dizia cabeleleira, tinha fotos dela mesma cortando o próprio cabelo usando outra técnica (bem mais fácil), com resultado exatamente como eu queria! Por que ela consegue e eu não?? Resolvi que era questão de honra voltar para o ringue, agora usando essa técnica.
E não é que deu certo?
Tirando o cabelo que não é franja ter sido cortado e o fato da franja estar agora muito curta (uma parte nem dá pra ser coloca atrás da orelha, o que, tenho certeza, irá me irritar e muito em alguns dias), até que ficou com um caimento legal. Eu poderia cortar mais e igualar todo o comprimento (já que uma parte continua maior que a outra), mas decidi não ter confiança demais que o meu cabelo vai ter piedade de mim mais de uma vez em um dia.
Mas quem sabe amanhã eu não cisme em tentar, né?
31 de ago. de 2009
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3 comentários:
hahahaha
Cara, eu passei por uma situação similar a esta. A diferença é que eu tinha 6 anos e a tesoura usada foi a de colégio de ponta cega. Acho que tanto eu quanto vc, vimos muito o filme do Edward Mãos de Tesoura.. hahahaha
Muito bom! Seja bem vinda! =)
Seu cabelo me ataca. Tem vida própria e sempre está onde nenhum outro fio capilar jamais esteve.
Eu fui nessa de cortar também, mais parece que você teve mais sorte que eu.. A minha franja ficou no MEIO da testa, acima, bem acima da sombracelha. MInha solução é esperar crescer né?!
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