16 de jul. de 2009

Aprontando em "Barba-sepetiba-cena"...

Quando eu tinha 10 anos e fui morar lá em "Barba-sepetib-ena", um bairrozinho bem atrasado do Rio. Lá vivi diversas das minhas melhores aventuras. Além de me vestir bem breguinha e largada como um molequinho de rua lamacenta, tive a oportunidade de morar numa casa relativamente grande e com muita natureza em volta (pé-disso, pé-daquilo), criar animais bem exóticos (ou devo dizer bem "esquisitos"), conhecer muitas pessoas "sem-noção", descobrir meu lado empreendedor e usar minha oratória pra cima dos desafortunados, me tornar uma ciclista profissional (ou se locomovia de bicicleta ou mofava no ponto), descobrir meu lado científico realizando muitas autópsias em sapos já mortos que se suicidavam na minha piscina, desenvolver minha imaginação para escrever e sacanear os outros .... Enfim, eu aprontei muito e aprendi bastante também. Viver em "Barba-sepetib-ena" teve suas vantagens.
Em uma de minhas aventuras, tive a feliz idéia de colher e vender os jambos que nasciam lá em casa. Todo dia que dava jambo, lá ia eu montar a minha mesinha na porta de casa para empurrar jambo para os vizinhos comer. "Come! Faz bem! É bom pra saúde!". Jambo é a fruta mais sem graça e ruim que já comi em toda a minha vida, mas a alma do negócio é: mentir muito.
Quando não estava vendendo frutas ruins e que ninguém lá em casa gostava de comer, eu vendia minhas coisas velhas e quebradas. Discos que eu dizia que eram maravilhosos, barbies com pescoço quebrado. E as minhas melhores vítimas eram minhas amiguinhas ingênuas (coitadas!).
Eu era muito boa amiga quando criança, emprestava só os brinquedos velhos, quebrados, chatos e apelidava as amigas que sofriam com os apelidos (coitada da Ana paula-orelha-de-Dumbo).
Eu também era muito boa com os animais. Quase fui veterinária. Ajudei muito o meu cachorro a matar cobras-d'água, "mata Skipe, mata". Criei preás que se multiplicavam o dobro a cada trepada. E até as pobres preás eram vendidas pela vizinhança, "compra vai, nem dá trabalho, vive só 2 anos". Tentei criar jabotis, mas, nas duas vezes que tentei as duas conseguiram fugir. Uma vez ganhei um scargot (um caracol gigante q muita gente gosta de comer), "o que é que eu faço com esse bicho? O que ele sabe fazer?". Não durou nem um mês, soltei a droga do bicho que não sabia fazer nada, além de deixar um rastro de gosma por onde andava. Mas, a amizade mais linda que tive com um animal exótico foi com a Joana, a porca do vizinho. Vi os filhos de Joana nascer, alimentava Joana e visitava-a sempre. Até que um dia, o vizinho disse que Joana havia "falecido" e no dia seguinte, teve churrasco só de linguiça lá em casa. Só descobri que tinha comido a Joana no dia seguinte, pois meu padrasto "querido" fez questão de me sacanear.
Mas, uma de minhas aventuras favoritas foi as paródias de funk que criei, sacaneando um vizinho muito metido a besta. Criei músicas sacaneando ele e enviei-as em cartas para a casa dele (utilizando uma de minhas ingênuas e bode-espiatórias), marquei encontro com ele fingindo ser uma menina que gostava dele e só ele foi ao encontro. Foi bem divertido!

Viver no mato requer muita criatividade para se divertir e matar o tempo. E, nisso, eu me tornei PhD.

1 comentários:

Amanda Dutra disse...

hahahahahahahah
Iza, depois da Joana e do Jabuti, quero ver a história da latinha!!

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